FAQ

Imperialismo. Não é mais como nos anos Guerra Fria. Hoje vivemos sob o comando econômico de empresas transnacionais, como Ladislaw Dowbor explicou em seu livro O capitalismo improdutivo. Elas sim operam sobre nossas vidas! A força do dólar, como moeda fiduciária americana mas também moeda universal, e os Estados Unidos como potência industrial militar, são preponderantes no mundo – e continuarão a funcionar assim, dado o potencial consumidor da classe média americana. Mas o Estado-nação de um modo geral perdeu força. E os Estados Unidos não exercem mais um poder imperialista como no passado, e sob os democratas busca sempre recompor sua aliança com a Europa e evitar aventuras. A guerra contra o Terror não é guerra imperialista, mas guerra de defesa que, não raro, se faz contra insurgentes que possuem armas por conta do próprio passado da CIA, que armava todo mundo! Bin Laden que o diga, quando podia dizer! Saddam e tantos outros também poderiam dizer! O conceito de Império, de Antonio Negri, parece fornecer instrumentos melhores para entendermos o nosso tempo.

 

Rede Globo. A Rede Globo pode menos do que se diz dela. Toda mídia pode menos do que imaginamos. A Rede Globo pode ser melhor vista, creio eu, se a tomarmos como um complexo que tenta conciliar quatro tendências internas: a verdade que os jornalistas produzem, os desejos neoliberais da empresa Globo, o objetivo dos que assistem e se informam com a Globo e, enfim, os empresários e estado que compram horários da Globo. Tudo que se faz na Globo se faz na difícil conciliação entre esses interesses. Por isso, demonizar a Globo é algo do populismo apenas, não do crítico inteligente. O populismo usa Globo como fonte de poder que, enfim, seria maior que ele e que seria anti-povo. É tática velha, mas ainda seduz.

Gado. Uso o termo gado para todo brasileiro que grita nome de político e não presta atenção em mais nada. Ele grita o nome “Ciro 2022”, “Lula 2022”, “Bolsonaro “2022” e acha que são palavras mágicas, “abracadabra”, e junto do voto dele, tudo se resolverá. E quando faz isso, acha que expressou opinião e está vivendo a democracia. Não consegue pensar os problemas brasileiras que o afligem, pois está seduzido pela ideia de que basta seguir um político, um ídolo, e sua vida irá melhorar. O gado lê esse trecho aqui e continua gado. O gado é aquele que não consegue criticar seu candidato de modo algum. O gado está em eterno torpor, num sonambulismo eterno. Ele se aferra à ideia de democracia representativa somente: o candidato dele sempre está certo e irá vingá-lo. O gado é produto, entre outras coisas, dos fenômenos que, segundo uma narrativa marxista, podem ser bem explicados pelo que está no livro A sociedade do espetáculo, de Guy Debord. Neste livro o alienado aparece como aquele preso ao desejo de ser espectador: uma vez espectador do espetáculo da mercadoria, espectador de tudo o mais, inclusive da política.

Petrobras. A matriz energética do mundo está mudando. As grandes companhias de petróleo, elas mesmas, estão criando investimentos maciços na mudança da matriz energética. Nesse sentido, a ideia dos “americanos que querem a Petrobras” é ridícula, é resquício da noção velha de imperialismo. Aliás, no caso da Petrobras, ela é uma companhia de capital aberto e já tem acionistas americanos. São acionistas que, na verdade, irão investir nas companhias de petróleo de outros países, mais do que aqui, pois estas estão se preparando para a troca da matriz energética, a Petrobras menos, bem menos. Diga-se de passagem, foi pelos interesses desses acionistas que mecanismos legais americanos se associaram com Moro e com a Lava Jato, exatamente para saber da corrupção e de quanto estariam perdendo. A conversa de Lula de que o Departamento de Justiça Americana, pela Lava Jato, queria prendê-lo, é uma mentira que deveria parar de ser dita. É uma mentira feia. Lula sempre foi um conciliador e os Estados Unidos nunca tiveram restrição com a política do PT, a do neoliberalismo mitigado. As tais espionagens contra Dilma foram prática americanas que ocorrem no mundo todo. Angela Merkel que o diga. Os outros países-potências fazem o mesmo. A Grã Bretanha e a Rússia são famosas nessa prática.

Evangélicos. É difícil lidar com esse grupo na política, mesmo os que não seguem as igrejas caça níquel. Eles são hoje 40 milhões no Brasil. A maior parte aprende a ler sem conseguir entender narrativas enquanto opções relativas para cada caso. Tendem a aprender que existe só uma narrativa válida, a da Bíblia, a do Velho Testamento, e não percebem que esse livro é poético e normativo. Vem da cultura oral para guiar um povo, e se universalizou. Essa forma de ler a Bíblia, inclusive conferindo a ela veracidade nos relatos mágicos, é incentivada e faz da cabeça do evangélico uma cabeça infantiloide. Os partidos de esquerda não adentram nesse campo, querem apenas conquistar o voto dessa gente por meio do pastor, e nisso imitam a direita. Por isso os evangélicos se mantém com força conservador mesmo quando votam em candidatos de esquerda.

Militares no Brasil. Também não são educados pelos partidos de esquerda. E se mantém dentro de doutrinas incompatíveis com as regras dos Direitos Humanos. Não há razão do Brasil ter Forças Armadas. É um gasto desnecessário que vários países do mundo têm diminuído, até mesmo os Estados Unidos.

Narrativas. Cada vídeo fornece uma narrativa ou várias. Elas diferem entre si. Algumas se somam, outras são de fato divergentes. As narrativas são instrumentos para pensar, e não verdades a adotar. Nesse sentido elas são enriquecimento do cérebro do participante do canal, para ele se politizar pela esquerda, sem ser gado ou “cabeça feita”. Há também narrativas normativas, em que eu peço militância em causas que confio. Por exemplo, tarefas que podem nos fazer criar canais de participação política, no sentido de ampliarmos a democracia participativa em seu casamento com a democracia representativa.

Contribua ❤🦉