Pornografia para mulheres?

Não existe “pornografia feminina” ou “pornografia para mulheres”. Vi um bocado de pornografia dita “para mulheres”. De todo tipo. Coisa produzida de modo caseiro e também algo que se pretendia ser mais sofisticado. Nada disso difere da pornografia que já foi feita sob nenhum rótulo especial.

A pornografia diz respeito ao chamado “sexo explícito”. A ideia básica da pornografia é que você não tem imaginação, que é o elemento básico do sexo, ou que está cansado demais para tentar colocar sua imaginação para funcionar, e que, então, cenas de sexo poderão estimular você para a masturbação ou mesmo para o sexo a dois. Com essa ideia você pode fazer muitas coisas no campo pornográfico. Mas tudo que fizer, vai valer para mais homens e menos mulheres. A pornografia é masculina.

A razão disso não advém da pornografia, mas do que são o “olhar masculino” e o “olhar feminino”. A mulher tem um interesse menor que o homem no sentido da visão. O homem gosta de ver, a mulher gosta de sentir. A explicação disso, se recorremos à antropologia, é simples: homens possuem nas costas, na divisão social do trabalho, a tarefa da caça. Desenvolvem o olhar. Mulheres ficam em casa, em cavernas, no escuro, se tornam especialistas em achar coisas miúdas, mas desprezam visões de conjunto, olhares no horizonte. Mulheres são econômicas no olhar. Homens se deixam atrair, sempre em primeiro lugar, pelo elemento visual. Isso não se muda da noite para o dia.

O elemento pornográfico que a mulher diz gostar, mesmo quando a mulher tem uma sexualidade turbinada por testosterona, não é propriamente o pornográfico, depende de um contexto, depende de uma história, da verbalização das situações amorosas. A mulher pode ter desejos sexuais ditos masculinos, que implicam a excitação ligada à humilhação (em graus variados) da própria mulher. Isso pode confundir alguns. Pode levar alguns a achar que aí a mulher gosta de algo pornográfico. Mas é engano. Se a mulher gosta disso, é pelas palavras envolvidas, pelas história. O visual disso não é o especial, não é o que a atrai.

A mulher não é “mais romântica”. Que não se confundam as coisas! Ela é apenas menos visual, quer que as coisas se passem sem o recurso da visão. A mulher é do âmbito da literatura. O homem é do âmbito das artes plásticas. A mulher não é apolínea, mas tampouco é dionisíaca. Ela apenas é … das letras, sons, subterfúgios. A mulher é o ser do interior da casa. A mulher é do lar. Ela pode passar séculos sem a referência ao lar, daqui para diante. Mas não vai mudar tão cedo essa sua índole.

A mulher que percebe isso, se torna exímia conquistadora de homens e mulheres. Ela logo percebe quem são os seres visuais, nota o que neles é o “ponto fraco”, o chamariz, saca logo o que na dança do acasalamento vai prevalecer. A visão ou o “clima”? Tendo noção disso, faz da dança do acasalamento um instrumento infalível de arrebatamento.

Paulo Ghiraldelli, 64, filósofo